Modelo livre
Modelo de dossiê do ciclo
O documento que você leva à sua avaliação de desempenho: o que entregou no período, agrupado por competência, com a evidência embaixo de cada afirmação. Copie, adapte, use no formulário da sua empresa. Funciona inteiro sem o Eixo.
Para quem isto serve
Para quem é avaliado por gente que não o viu trabalhar. Se a sua promoção é decidida num comitê ou numa calibração, quem decide vai formar uma opinião sobre você a partir de um documento — e quase sempre o documento é escrito por você, às pressas, na semana do prazo.
Se ninguém avalia seu trabalho formalmente, este modelo não vai ajudar. Ele existe por causa do escrutínio, não apesar dele.
A estrutura, e por que cada parte existe
Cabeçalho
Nome, cargo atual, o período e o objetivo declarado. O objetivo precisa ser um degrau nomeado — “Senior Engineer”, não “crescer”. Quem lê usa isso como régua para tudo que vem depois.
Se as suas datas são de quando você anotou, escreva registros de, não realizações de. Parece detalhe e não é: quem lê sabe distinguir, e a precisão aqui compra confiança para o resto do documento.
O que foi entregue, por competência
O corpo. Uma seção por competência, usando o nome que o framework da sua empresa usa. Dentro de cada uma, afirmações — e embaixo de cada afirmação, os registros que a sustentam, com data e nas suas próprias palavras da época.
Sem registro neste ciclo
As competências do seu nível que você não tem como sustentar neste período. Parece contra você e não é: quem chega ao comitê sabendo onde não tem o que mostrar chega preparado para a pergunta. Quem omite é perguntado do mesmo jeito, sem resposta pronta.
Movimento no período
Só entra se você tiver dois pontos de comparação dentro do ciclo. Um ponto não é uma linha, e comparar com algo de antes do período atribui ao ciclo uma mudança que pode ter acontecido fora dele.
Como fica preenchido
Um trecho, para mostrar a densidade certa — cada frase é curta, e cada uma tem de onde vir.
Liderança técnica
Conduziu a migração de 12 serviços para TypeScript, concluída dentro do semestre.
- 14/03 — “fechei a migração do serviço de billing, último dos 12”
- 02/02 — “assumi o plano de migração depois que a pessoa que tocava saiu”
Mentorou dois desenvolvedores juniores em revisão de código ao longo do ciclo.
- 28/04 — “segunda sessão de pairing, review de PR”
Note o que não está ali: nenhum “com excelência”, nenhum percentual solto, nenhuma frase sem data embaixo.
As cinco regras que fazem funcionar
- 01
Uma afirmação, uma evidência
Se você não consegue colar um registro embaixo, não é uma afirmação — é uma opinião sua sobre você mesmo. Corte.
- 02
Sem adjetivo de mérito
"Excelente", "brilhante", "referência técnica". Quem lê vai pedir para você justificar, e adjetivo não se justifica. Escreva o que foi feito e deixe a conclusão para quem avalia.
- 03
Sem número que você não pode mostrar
"Reduzi custos em 30%" só entra se você tem de onde tirar os 30%. Um número frágil contamina o documento inteiro: se esse está inventado, quem garante os outros?
- 04
Use o vocabulário do framework, não o do seu time
Seu time chama de "dar suporte ao pessoal"; o framework de nivelamento chama de mentoria. Quem decide sua promoção lê o framework. Traduza.
- 05
Diga quem se beneficiou
"Refatorei o módulo de billing" é tarefa. "Refatorei o módulo de billing, e o time de suporte parou de abrir chamado sobre cobrança duplicada" é impacto. A diferença entre pleno e sênior mora quase toda aqui.
Os erros que custam mais caro
Escrever tudo no fim do ciclo
O mais comum, e o mais caro. Em novembro você lembra de outubro, e o que você fez em março — que provavelmente foi o mais difícil do ano — simplesmente não existe. O documento fica com a forma do seu último mês, não do seu ciclo.
Listar tarefa em vez de resultado
Uma lista de entregas prova que você esteve ocupado. Ninguém é promovido por ter estado ocupado.
Omitir o que não foi bem
O comitê já sabe. Um documento que só tem acerto lê como peça de defesa — e peça de defesa levanta exatamente a suspeita que queria evitar.
Confundir esforço com escopo
Trabalhar mais é esforço. Decidir mais, ou decidir sobre mais gente, é escopo. Na transição de sênior para staff, só o segundo conta.
O problema não é o modelo. É lembrar em novembro do que você fez em março.
Todo mundo que já preencheu um destes sabe onde ele quebra: não na estrutura, mas na matéria-prima. O modelo pede evidência com data, e evidência com data só existe se alguém a registrou quando aconteceu.
É isso que o Eixo faz: você anota o que aconteceu, em uma linha, quando acontece. Ele extrai a evidência, liga às suas competências, e quando o ciclo fecha monta este documento — com o registro embaixo de cada afirmação, porque é o mesmo princípio. Anotar é de graça e não expira; o dossiê é do plano pago.